Para os amantes de café, principalmente aqueles que buscam experiências e novos sabores, sabiam que a bebida possui origem de plantas diferentes? Neste artigo, vamos falar especificamente sobre o café arábica e sua história.

Você já conhece o café arábica?

São diversas espécies nativas, mas apenas duas consumimos, a arábica e a robusta (ou Conilon). Os grãos arábica, originários da Etiópia são cultivado em muitos países tropicais pelo mundo. Esse nome, "Arábica", provavelmente se deve ao fato de que o mundo Árabe foi responsável pela difusão da cultura do café. O Coffe arábica, nome científico, possui mais de 100 variedades atualmente e algumas delas vamos comentar logo abaixo.

O café arábica é caracterizado pela produção de cafés mais finos e complexos, quando comparado com o robusta, mas é importante salientar que não basta ser café 100% arábica para ser considerado especial como café de qualidade, aliás existem outros requisitos a frente. Do próprio Conillon, muito discriminado, é possível encontrar lotes de boa bebida, ainda mais raros.

As plantações de café arábica estão instaladas em sua grande maioria em altitudes acima de 800 m, consideradas ideais para a produção de café desta espécie. Entretanto, o clima é ainda mais importante que a altitude, e deve estar por volta de 18°C de mínima durante a noite e entre 25°C a 30°C de dia. Agora, regiões de latitudes menores também podem ser boas para a produção de café, como no norte do Paraná, desde que não seja muito frio.

Especialmente no Brasil, com a economia de escala, o café tipo arábica passou a ser produzido em regiões mais planas e mais quentes, provocando mais stress e queimaduras nas folhas e grãos. Como consequência, mais pragas e doenças. Para combater isso, a nutrição e o controle de doenças passaram a ser mais intensos. Por outro lado, o café nessas circunstâncias, quando bem conduzido, apresentou alto crescimento vegetativo e produções acima das condições originais.

Para alcançar o melhor potencial para cada plantação de café, é importante pesquisar qual variedade está mais adaptada ao local  e definir como será o manejo da planta até o café limpo e armazenado na tulha da fazenda. Atualmente os processos de pós colheitas, que são todas as etapas a partir da retirada dos frutos das plantas até o café cru pronto para comercialização, evoluíram muito, explorando ainda mais o potencial das variedades arábicas.

O resultado é um café com notas sensoriais complexas e maior valor de mercado. No Brasil, a produção de Arábica concentra-se em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Bahia; mas existe em regiões altas de Goiás e até em chapadas de Pernambuco e Ceará. Embora o estado do Espírito Santo também produza arábica, acompanha Roraima como produtor de café Robusta.

Mapa brasileiro do café

 

Quais os diferenciais do café arábica?

Embora produzam a mesma bebida que é consumida em todo o mundo, o café arábica e o robusta têm propriedades muito diferentes.

Por outro lado, ambas crescem em regiões mais tropicais onde podemos destacar a Ásia, América Central e América do Sul e África, por exemplo. Mas a forma como são cultivadas e suas características diferem e possuem variações. Originalmente a espécie Coffea arabica é adaptada ao clima tropical de altitude das montanhas da Etiópia, com clima e umidade amena.

Café Robusta ou Conilon (Coffea canephora) 

Já o café robusta ou Conilon é originário das planícies da África Oriental adaptando-se muito bem às regiões equatoriais, mais quentes e úmidas. Possui grãos mais arredondados e pequenos, com apenas 22 cromossomos, em comparação com o Arábica com 44 cromossomos.

Essa planta se adapta muito bem aos climas tropicais quentes, por isso se espalhou rapidamente pelo Brasil. Por outro lado, o café arábica se adapta melhor a regiões com temperaturas moderadas. 

Esta espécie possui duas variedades bem conhecidas na produção mundial: Robusta, a maioria cultivada na África Ocidental e Central e no Sudoeste Asiático; e Conilon, conhecido no Brasil.

Suas principais regiões produtoras no país são Espírito Santo, Bahia Atlântica e Rondônia.

Ao contrário do café arábica, o café Robusta é usado majoritariamente como base de blends junto ao cafés arábicas de grandes marcas internacionais, com a finalidade de tornar a mistura mais barata e ainda manter aquela sensação popular de “forte”, que podemos traduzir como aromas intensos, sabor amargo e maior concentração de cafeína.

Seu cultivo é mais fácil de manusear e mais estável, incluindo pragas e doenças, e mais simples. Apresenta rápido crescimento e floração não mais do que uma vez por ano. 

Por outro lado, a colheita não é seletiva, e a mistura de grãos verdes e maduros é inevitável, complicando seu processo de separação, o que pode comprometer a qualidade final.

 

As variedades de café arábica

O seu aroma é rico e os sabores muito diversos, bem como o nível de corpo e a acidez.

Como comentamos acima, existem variedades mesmo dentro do café arábica, sendo que as normalmente encontradas são Catuaí, Acaiá, Mundo Novo e Bourbon. E, algumas destas, possuem ainda sub variações de tonalidade de folhas, resistência e produtividade. Separamos algumas espécies de café para você conhecer melhor. 

1. Café Bourbon

Os primeiros relatos do surgimento desta variedade vêm de 1930 na cidade de Pederneiras - SP. Após esse período sofreu diversas seleções para torná-la mais adaptada aos plantios comerciais. Apesar de ser uma variedade precoce e não tão produtiva, é muito escolhida para plantios em regiões mais altas e de temperaturas mais baixas, com o único intuito de produzir lotes menores, mas de bebidas finas, únicas.

2. Café Catuaí

A variedade é amplamente cultivada no Brasil e atualmente as novas linhagens mostram adaptação as diversas regiões brasileiras, às montanhas úmidas do Espirito Santo, nas regiões mais frias do Sul de Minas ou mesmo Alta Mogiana e Cerrado, regiões mais quentes. Existem dois cultivares, Catuaí Vermelho e o Catuaí Amarelo. Oriundos do cruzamento do Mundo Novo e o Caturra, com o intuito de misturar rusticidade e vigor do Mundo Novo ao porte baixo e boa produtividade do Caturra.

3. Café Mundo Novo

Uma das variedades mais tradicionais do Brasil, oriunda de plantações de café Sumatra na cidade de Urepês, antiga Mundo Novo no Estado de São Paulo. Acredita-se que a variedade surgiu espontaneamente do cruzamento das variedades Sumatra e Bourbon vermelho, ambos existentes na mesma fazenda. Muito conhecida pelo seu grande porte, alto vigor é muito produtiva e produz grãos de peneira alta. Outra característica sua, é a precocidade, ou seja, de maturação rápida, muito útil para escalonar a colheita entre variedades de maturação diferentes.

4. Café Acaiá

O Acaiá é uma sub-variadade do Mundo Novo, portanto segue muito as características do seu sucessor. E, além disso, mais adaptada às novas fronteiras do café, como o Cerrado Mineiro.

5. Café Icatu

Possui duas variações entre o Icatu vermelho e o Icatu amarelo, possui uma grande resistência à ferrugem e claro uma grande produtividade.

6. Café  Topázio

Topázio é uma variedade de café arábica muito cultivada em Minas Gerais e São Paulo, a partir do cruzamento do Mundo Novo com o Catuaí Amarelo. É um café muito saboroso, de sabor delicado e complexo.

7. Café Gheisa

Hoje é considerada uma vedete do mercado dos cafés especiais, pelo grande potencial de produzir bebidas complexas. Oriunda da cidade Ghesha, no sul da Etiópia. Já há bastante tempo produzida na América Central. No Brasil existem relatos com pesquisas desde 1970, mas foi em 2004, quando um lote desta variedade atingiu altíssima pontuação (falaremos em outro post sobre bebidas e pontuações), de 94,6 num torneio internacional. Uma xícara perfeita, com notas doces e frutadas e um aroma floral incrível.  

Blends de Café

Lembra que falamos lá no começo sobre blends de café? Mas afinal de contas, porque misturar café para obter um outro tipo? Vou explicar agora, e vai entender porque há variações que inclusive citamos acima nos tipos de café arábica.

O objetivo de fazer um blend de café é combinar as melhores propriedades de cada café e criar uma bebida balanceada com resultados padronizados.  Ou seja “blends” ou misturas de tipos de cafés são muito utilizados por grandes marcas para padronizar um café para um determinado uso, como: espresso, cápsulas, ou mesmo no filtrado. Com isso é possível definir um perfil sensorial e a partir de cafés com aspectos conhecidos, prepará-los nas quantidades e torras específicas para chegar no resultado final.

Mas isso não quer dizer que cafés de uma única variedade, chamados de internacionalmente de single ou varietal no mundo vinho, não sejam considerados produtos finos. Ao contrário, é ainda mais valorizado. Pois é possível perceber uma das características mais incríveis do café, o terroir. Termo em francês para a relação mais íntima entre o solo, o micro-clima particular e a planta, que expressa livremente sua qualidade, tipicidade e identidade.

Pensando bem, é tudo sobre o futuro da nossa bebida que visa encontrar experiências únicas, o que faz com que os amantes do café tenham cada vez mais conhecimento, acesso a métodos, grãos de todos os tipos e uma grande vontade de descobrir.

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